Capítulo 28: amanhã vai ser outro diapor miki w.
Para ler ouvindo: “Cello Suite nº 1 Prélude” de Johann Sebastian Bach por Yo-Yo Ma
Foram acordados pelo delicioso cheirinho de café que Lili e Fábio passavam na cozinha, mas a manhã parecia estranha. O corpo estava descansado e muito embora ainda se lembrassem da descoberta do dia anterior, um certo alheamento tomava conta das mikos. De uma certa maneira, parecia que aquilo não importava mais tanto quanto eles acreditavam ser importante.

Apareceram todos com umas carinhas amassadas na porta da cozinha:
- Bom dia!
- Olá! Acomodem-se que o café está quase pronto.
Lili as esperava com um sorriso no rosto, uma enorme barriga grávida e um belo café da manhã. Seu sorriso era genuíno e cativante.
As mikos ficaram surpresas e felizes em conhecer Lili. Ela tinha uma beleza serena mas, ao mesmo tempo, ligeiramente estonteante e eles ficaram como que hipnotizados.
Será... – pensou Kiku consigo mesma – que é essa barriga muito grávida que traz esse encantamento?
Lili parecia envolta numa névoa invisível de bem-estar e completude. Seu sorriso aquecia e confortava e as mikos se sentiram amadas de um amor tão luminoso e puro que, por um momento, tiveram a impressão de que era impossível algo dar errado.
- Lili... você é tão linda. – Sakurá não conseguiu deixar de dizer isso em voz alta. Em seus olhos, brilhavam estrelas e sorrisos.
- Ora, Sakurá! Muito obrigada!
Lili sorriu para Sakurá e continuou:
- Ontem à noite, Fábio me contou sobre a longa aventura. Vocês são muito valentes. Eu fiquei encantada e muito comovida com a história...
Estavam tão enlevados com a presença de Lili que se sentiram absolutamente à vontade para exporem seus sentimentos mais íntimos. Foi Kiku quem começou:
- Sabe, Lili, quando me dei conta de que cada um é dono de suas próprias vontades e igualmente responsável por tudo o que resultar delas... eu finalmente compreendi que não tinha o direito de forçar as pessoas a sonhar sonhos verdadeiros. E isso também me fez ver que... bom, fico um pouco envergonhada em admitir que os sonhos verdadeiros do nosso jardim são os meus prediletos. – Kiku emendou isso de um fôlego só com medo de perder a coragem de dizer – no fim, me sinto um pouco... culpada.
Ao que Yanagi emendou:
- Afinal, é para o que fomos destinados e deveríamos ter igual amor a todos eles...
- Mas isso não significa que deixemos de cuidar bem dos demais sonhos. – lembrou Momiji.
Lili sorriu afetuosamente antes de começar:
- Pois eu acho perfeitamente natural que cada um de nós tenha lá as suas preferências. Anti-natural seria não ter, vocês não acham? Acho importante ter as próprias opiniões pois, caso contrário, como iríamos crescer, evoluir? Seria um mundo estranho... mas acredito igualmente que devemos ser gentis na medida certa para não sobrepujar o outro que, assim como nós, tem suas próprias opiniões e preferências. E isso se chama respeito.
Lili sorriu um sorriso gentil e verdadeiro para as mikos, antes de continuar:
- Cada um é livre para escolher. – e nesse momento, ela olhou para Fábio que pegou em sua mão, dando-lhe um beijo – e o máximo que podemos fazer é ajudar. Há a ajuda mais direta, praticamente um aconselhamento se o outro assim quiser e se a gente se sentir capacitado para isso. Mas há também outras maneiras mais indiretas de se ajudar... no fim das contas, acho que tudo o que podemos fazer é tentar inspirar as pessoas... mas a escolha, definitivamente, é delas.
Sakurá ficou repetindo baixinho, como se todas as coisas tivessem vindo para o seu devido lugar naquele exato momento:
- Inspirar as pessoas. Inspirar as pessoas. Inspirar as pessoas.
E, sentindo um amor muito grande por Lili, ela a abraçou como uma criança faria com o seu bem mais precioso e disse:
- Lili, você descobriu a chave! A verdadeira resposta que a gente buscava e nem sabia... é essa! – e começou a chorar, muito emocionadinha.

- Ora, ora, Sakurá, não acho que eu seja assim tão especial. O mérito é todo de vocês. Acho que eu apenas formulei uma verdade que já vivia em seus corações desde sempre. Ocorreu de poder conversarmos aqui e agora, nada mais, nada menos. Fico muito feliz em poder colaborar, o sonho de vocês é tão puro, tão bonito... só essa história que viveram poderia inspirar muita, mas muita gente mesmo. Talvez já esteja inspirando até.
- Você acha mesmo, Lili? – Tampopo, timidamente, perguntou.
- Eu não tenho a menor dúvida, Tampopo!
A impressão que tiveram de que era impossível algo dar errado tinha se concretizado. Tudo parecia fazer sentido.
Naquela tarde, as mikos tomaram o tele-transporte para, finalmente, voltarem ao seu lar. Ao mesmo tempo que sentiam um apertozinho no coração e um nozinho na garganta, também ansiavam em chegar ao lugar onde verdadeiramente perteciam.
Na porta de casa, Fábio e Lili ficaram acenando, parados, até que elas sumissem totalmente de vista.
***
Mais ou menos “fim”, digamos (risos). E se você também pudesse ajudar as mikos? Você tem uma história que acredita que pode “inspirar as pessoas”? Se você gostar da idéia, você pode soprá-la no ouvido da sua miko predileta e ela cuidará de publicá-la aqui no blog. Escreva para mikokeshi@gmail.com! Ou diretamente para cada uma delas:
» miko.kiku@gmail.com
» miko.momiji@gmail.com
» mm.miko.sakura@gmail.com
» miko.tampopo@gmail.com
» miko.yanagi@gmail.com.
Agradecimentos: ao Chico Buarque, de quem furtei o título do capítulo!
A história acabou. Para mim, foi um desafio e tanto ao qual eu me impus por quase 8 meses! Mas... o trabalho de artista, embora seja recompensador, é muito solitário. E quase não tem interlocutor.
Então, eu ficaria muito muito feliz e agradecida se vocês leitores pudessem me enviar feedbacks: se gostaram, se não gostaram, se foi cansativo, difícil, modorrento, alegre. Críticas são muito bem-vindas pois me ajudam a saber onde estou errando =). Mas só se você tiver vontade de escrever. Pode deixar um comentário logo aí abaixo ou me enviar por email, se preferir: mundomiki@gmail.com.
A todos que passam por aqui, o meu muito, muito obrigada!
Beijos, Miki
3 comments:
Querida Miki,
Parabéns pelo lindo conto!! Acompanhei de pertinho cada capítulo, semanalmente. O coração batucava pelas Mikos e, principalmente, aplaudia sua imaginação.
'Sonho Perdido' é repleto de mágica, poesia, reviravolta, questionamentos e insights. Ainda, lança graça, esperança e beleza. Viajei com você até o espaço, fui ao mundo do senhor dos Sonhos, saboreei comilanças, tomei chá de flores e vi nova cores. Fantasia, Miki é fantasia!
Admiro também sua coragem de assumir desafio semanal online, sua dedicação, persistência e disciplina.
Durante esses meses, vi de longe seus passos leves, essa dança bonita e improvisada: eis a sua música!
Agora, quero ver o conto agora no papel, com as ilustras grandonas!! =D
E aguardo já sua próxima aventura! ^.^
Um beijo, Pat
Foi mais do que ler um conto, bem escrito e criativo. Parece que as mikokeshis começaram a fazer parte da vida de todos nós! Dá vontade de querer saber o que elas vão fazer agora...(rs), como se o conto fosse só uma parte da “eterna” vida dessas bonequinhas-com-sopro-divino! Parabéns, Miki.
pat e mirian, obrigada pelas palavras carinhosas e de incentivo.
muitas vezes, tive dúvidas se não estava aborrecedor, modorrento, muito arrastado, grande... enfim, dilemas de quem trabalha sozinho.
escutar vozes de ressonância por aqui é sempre bom. e não só elogios, as críticas tb são bem-vindas, pois me ajudam a saber onde estou errando.
queridas, obrigada pelas pistas que vocês sopraram para as mikos durantes esses longos 8 meses.
com muito carinho,
miki
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