Capítulo 21: mapeamentos e bisbilhotices em 3 atosAto 3: o caderno de esboços
por Sakurá
Para ler ouvindo: “Bachianinha nº 1” por Paulinho Nogueira
O grande caderno de esboços, como eu apelidei, era um livro que eu gostava de ficar folheando sempre. Mesmo em minhas horas de folga.
Kiku, Tampopo e eu íamos marcando as páginas que a gente achava interessante. Mas foi num dia em que eu folheava uma dessas páginas sozinha que a de número 283 me fez parar por um longo tempo: era um pedaço de terra, um pequeno grotão que, aparentemente, não tinha nada de especial. Anotado no canto da página, li, na letra de Kiku: “um lugar de atmosfera sombria e ligeiramente enregelante, cheirando a musgo e desalento”. Certamente, era um dos lugares que Kiku havia mapeado.

Fechei meus olhos por um instante e tentei imaginar aquilo que ela havia descrito. Cheguei a sentir um pouco de frio e o cheiro de musgo misturado a algo nodoso entrando pelo meu nariz. Fiquei ali quietinha, olhos fechados, encolhida por muito tempo. E, de repente, em algum lugar lá no fundo da minha cabeça, encontrei algo familiar, muito parecido com alguma coisa que eu conhecia...
Minhas sobrancelhas franziram enquanto eu fazia força para lembrar o que seria... sapato velho? Morango mofado? Alguém indo embora? Alguém indo embora... coalhada? O primeiro dia na escola? O último adeus? Adeus? Uma fileira de imagens passava em minha cabeça, parecia até desfile de escola de samba. Então, tudo parou por um momento e, numa velocidade estonteante (tão rápido que me senti como se tivesse sido nocauteada), a lembrança finalmente emergiu de águas profundas.
O pesadelinho, era ele! Ele cheirava “a musgo e a desalento”... eu nunca teria sido capaz de descrever nessas palavras, mas era exatamente assim que ele me parecia. E dele também vinha um ar frio, era a mesma sensação que eu tinha quando abria a geladeira.
Por um instante, fiquei sem ar com o meu pensamento. Será... que ali moravam outros sonhos perdidos?
Participe! Será que existe mesmo um reduto de sonhos perdidos em terras de Lorde Moldador? Se você sabe de algo à respeito disso, deixe um comentário logo aí embaixo!
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Agradecimentos: à querida Ana Carmen que me presenteou e às mikos com “Alone em Kyoto” via Blip.fm ^^.
2 comments:
Adoro a associação de idéias das Mikos! hoho! E então o cheiro de musgo e desalento, aquele vento frio, enregelado mesmo, nada mais que um pesadelo! Sim, a forma como o coração solta um grito. Uma oposição de luz e sombra. O contraste para quem está deixando um sonho de verdade de lado, um sinal de ajuda no céu representado em passo escorregadio de quem pisa em musgo com um sapato velho bolorento. Um tombo para acordar.
hoho, pat, vc é que é maga e sabe interpretar o q sai aqui dessa cabeça doida como nem eu mesma conseguiria!
luv u, miki
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