Thursday, 25 September 2008

{sonho perdido} capítulo 21 - ato 1

Capítulo 21: mapeamentos e bisbilhotices em 3 atos
Ato 1: o plano

por miki w.

Para ler ouvindo: “Alone em Kyoto” por Air
Caminharam por um tempo considerável de volta ao castelo de Lorde Moldador. E nem se deram conta de que, desta feita, pela primeiríssima vez, não precisaram invocar a chama para guiá-los de volta. Na verdade, nunca mais precisariam.

Na primeira metade do percurso, ficaram todos calados, como se cada um estivesse organizando os próprios pensamentos depois de tudo o que tinha acontecido na praia... mas, de repente, como se uma varinha mágica os tivesse tocado todos ao mesmo tempo, começaram a tagarelar juntos, numa urgência de quem precisava compartilhar uma descoberta fantástica.

E foi assim que preparam, ainda no caminho, um plano para tentar descobrir se havia alguém no Sonhar que poderia ajudá-los a encontrar a chave que abrisse o coração dos homens e, desse modo, “libertasse os sonhos verdadeiros.”

Como cada um tinha aglutinado em si uma parte do Sonhar, chegaram à conclusão de que era uma boa idéia trabalharem juntos em uma espécie de “mapeamento”. Mas claro que, em se tratando menos de “onde” e mais de “como”, o resultado de tal trabalho era igualmente menos um “mapa cartográfico” e mais algo como um “caderno de esboços”, onde eles iam desenhando e tomando nota de tudo aquilo que lhes parecesse relevante sobre o lugar, a entidade ou seja-lá-que-nome-aquilo-tivesse para que, mais tarde, fosse mais facilmente “encontrável”.


Enquanto todos dedicavam grande parte de seu tempo nesse trabalho, Yanagi, em paralelo, não conseguia tirar do pensamento a imagem da mandala-hanabi. E de tanto queimar a pestana matutando sobre o assunto, ocorreu-lhe que não havia se dado conta de que aquela era a menor de todas as mandalas. Era tudo tão brilhante, vigoroso e cheio de vida – ou antes, cheio de fome de viver – que isso, a princípio, não lhe chamou a atenção.

Tão entretido estava com essa história que, um dia, pensando alto sem perceber, encontrou eco em seu amigo Momiji:

- Ei, Yan... sabe que eu também notei essas cirandas “por aí”? E essa tal que você está falando também me hipnotizou. Pensei... ela é pequena, mas é muito valente! E dela vem uma energia boa, restabelecedora até para mim, um simples espectador. Sabe, eu até espiei os outros círculos, mas nem sua imagem nem sua energia sequer chegavam perto das da dela...

- Pois é, Momiji! Cada vez mais eu fico convencido de que ali tem algo muito especial! Algo me diz... que seria bom coletar mais material à respeito desses sonhos.

- Então por que não vamos?

Yanagi refletiu por um momento na proposta do amigo e viu-se perguntando a si mesmo: “É mesmo, por que não? Acho que Momiji tem razão.” – e, pensando assim, sorriu para o amigo e foram ao encontro dos outros.

O momento não poderia ser mais propício já que eles tinham acabado de acabar o mapeamento. Assim, em conjunto, decidiram que a missão se desmembraria em duas frentes: Yanagi e Momiji iriam buscar mais pistas sobre a mandala-hanabi enquanto Kiku, Sakurá e Tampopo continuariam a esquadrinhar os domínios de Lorde Morfeus.


» ler o ato 2 do capítulo 21



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