Capítulo 20: e o Sonhar... se ilumina em 2 atosAto 2: existe beleza que não seja bonita?
por Yanagi (com material adicional extraído e adaptado de Sandman)
Para ler ouvindo: “I’m going sane” por Roswell Rudd Quartet
Enquanto caminhávamos de volta após encontrar Morfeus na praia, um fenômeno estranho acontecia na minha cabeça... parecia um filme, mas, no fundo, eu sabia que era mais do que isso. De alguma maneira, eu tinha participação naquilo e não era apenas como mero espectador...
Eram as imagens que fomos coletando nos sonhos que andamos visitando até então. Elas estavam todas ali e dançavam frente a meus olhos. Ao que tudo indicava, elas não me viam, de modo que fiquei à vontade para espiar aquele balé incomum.
Primeiro, era uma confusão de imagens embaralhadas, todas falando e dançando juntas, numa balbúrdia sem igual. Aos poucos, porém, grandes círculos iam se formando e, de mãos dadas, elas continuavam a bailar, a bailar... desta vez, porém, a coisa já ia mais organizada e era um espetáculo para os sentidos. Cores vibrantes, aromas os mais diversos se misturando, músicas em todas as línguas existentes e também nas imaginadas...
Cada ciranda tinha uma identidade própria. Às vezes, uma se entrelaçava à outra por alguns breves momentos, para, logo depois, separarem-se novamente.
As imagens dos sonhos de cada círculo definitivamente eram distintas entre si, mas, em essência, eram iguais. Suas almas deviam ser feitas da mesma matéria luminosa, e, provavelmente, tinham desejos consonantes.
E tudo fluía...
Em meio a essa profusão eclética, fui fisgado por uma mandala em especial. Não sei dizer por que. Talvez... devesse ser assim, mas, igualmente, penso que, por alguma razão que desconheço, eu fiz essa escolha.
Aproximei-me tanto quanto era possível dela. Uma música suave mas persistente embalava os passos daquela ciranda. Como a me dizer que eu poderia ouvi-la para sempre e em looping sem enjoar. Sim, a persistência. Era isso. A persistência parecia ser uma forte característica daquele grupo.

Embora cada um fosse absolutamente uno e independente, percebi que, em ciranda, eles movimentavam uma certa energia que acabava por construir uma outra imagem que se erguia no centro da mandala. Essa imagem era fruto das experiências e aspirações de cada sonho ali reunido. Uma construção em conjunto, provavelmente baseada nos ideais comuns que os uniam. Embora fosse etérea, era de uma beleza que acalentava sem necessariamente ser bonita. Estrelas cadentes azuis riscavam um céu fictício por sobre um campo puro e intocado. Águas plácidas, porém escuras, rodeavam o campo de um dos lados. Era um pouco como uma festa de hanabi (1).
Foi então que acordei. Ou será que seria “foi então que adormeci? – não sei dizer com exatidão...
Notas:
(1) Hanabi: fogos de artifício
Participe! Bom, o Sonhar foi, finalmente, desvendado (ou quase :)! Mas o que será que significa essa história de os sonhos das pessoas brincarem de ciranda? Se você sabe algo à respeito disso, deixe um comentário logo aí embaixo!
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A referência a Sandman tem a única intenção de homenagear e divulgar o primoroso trabalho desenvolvido por Neil Gaiman. Todos os direitos pertencem a seus respectivos proprietários.
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