Thursday, 11 September 2008

{sonho perdido} capítulo 20 - ato 1

Capítulo 20: e o Sonhar... se ilumina em 2 atos
Ato 1: devolvendo o que era seu

por kiku (com material adicional extraído e adaptado de Sandman)

Para ler ouvindo: “This is the day” por The The

Me lembro de termos acordado e de estarmos caminhando pela praia... mas, frustrante! Como daquela vez em que eu não sabia dizer se sonhava ou estava acordada, também agora eu não conseguia distingüir em que tempo-espaço estávamos. Se foi um sonho, foi muito estranho, pois parecia mais real do que a própria realidade... tudo era vívido e de uma intensidade como eu jamais havia experimentado antes.

A praia continuava escura, mas era noite de lua cheia e uma lua redonda e grávida banhava-nos com sua luz generosa. As ondas quebravam calmas e a espuma branca fazia desenhos murmurantes na areia mansa. Era uma praia longuíssima, dessas que a gente não consegue saber nem onde começa, nem onde termina. Talvez ela não tivesse começo nem fim, pensei depois...

Juro que pisquei os olhos e tive a impressão de que aquela figura vestindo a noite havia aparecido – do nada – logo ali a nossa frente, na areia da praia. Ai ai ai, odeio quando essas lembranças confusas ficam nebulosas em minha cabeça...

Enfim, quando chegamos a seu lado, ele se virou e reconhecemos o Lorde dos Sonhos.

Nesse momento, senti como se minha mente estivesse sendo invadida por mil pensamentos ao mesmo tempo. Como se abrissem a tampa de uma enorme caixa e ali despejassem milhares de coisas de uma só vez. E depois a tapassem bem tapadinha novamente. Mas tudo isso em uma fração de segundo. Foi bizarro!


Olhei para meus amigos e, pelas suas caras atordoadas e amassadas, adivinhei que o mesmo acontecia com eles. Morfeus, grave como nunca, apenas observava.

E de repente tudo ficou tão claro pra mim. Bastava fechar os olhos e eu era capaz de mapear, mentalmente, uma grande parte do Sonhar. E nem precisamos falar em voz alta, apenas sentimos, dentro de nós, que cada um carregava dentro de si um mapeamento que completava o do outro.

Então, Lorde Moldador disse: “Agora vocês são capazes de compreender a essência do Sonhar. Enquanto não convivessem aqui por um determinado tempo, vocês não estariam preparados. Durante esse longo período, vocês foram coletando informações mesmo que não se lembrassem delas. Falaram com outros seres que habitam o Sonhar. O mesmo ocorreu com as visitas aos sonhos alheios que vocês fizeram comigo noite após noite. Muito embora possa ter parecido perda de tempo, acreditem, não foi. Vocês, agora, estão imbuídos da essência do Sonhar. Em outras palavras, estão prontos para tentar encontrar o que vieram buscar.”

Ele continuou modelando o que me pareceu ser um enorme boneco com uma cabeça vazia... e nós tomamos o caminho de volta à clareira de onde viemos. Aos poucos, fui compreendendo que as coisas não estavam aqui ou ali, nada era absoluto, elas não existiam “onde” nem “quando”, mas sim retrocediam e avançavam à medida que quiséssemos encontrá-las. Era uma sensação estranha e um pouco incontrolável, mas eu tinha um pressentimento de que, aos poucos, seríamos capazes de dominá-la.


» ler o ato 2 do capítulo 20



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