
Capítulo 12: sentimentos em 3 atos
Ato 3: perseverança
Para ler ouvindo: “Mais uma vez” de Renato Russo
E foi assim que, resoluta e certa de sua capacidade, Kiku levantou-se e foi procurar Sakurá. Encontrou-a, como de costume, na cozinha, experimentando uma receita nova. Sakurá gostava de cozinhar quando tinha algo importante para resolver.
- Oi, Sakurá! Atrapalho?
- Oh, olá, Kiku! Claro que não. Sente-se aí, estou testando uma receita nova de bolo.
- Sakurá, vou direto ao ponto, que não sou mulher de rodeios! Se me desculpa a objetividade...
Sakurá sorriu enquanto descansava as mãos na tigela do bolo.
- Sakurá... pensei muito sobre tudo o que aconteceu pela manhã... e cheguei à conclusão de que não consigo ouvir os sonhos porque... na verdade estou muito distante deles, sabe? Acho... que eles talvez me vejam como uma completa estranha.
Sakurá sacudiu a cabeça, dando a entender que compreendia.
- Então... pensei em pedir a você que me ajude nesta tarefa... os sonhos parecem tão à vontade na sua presença... Será que você me faria esse favor?
Sakurá se remexeu, parecendo levemente incomodada com a situação.

- Errr... Kiku, eu... eu... gostaria muito, mas muito mesmo de ajudá-la...
- Mas?
- Ai... eu não consigo ver como! Você é tão estudiosa e brilhante e o que eu faço nada mais é do que ter conversas assim à-toa com eles! Não é nada demais. Você tem certeza de que isso vai funcionar?
Porém, o que uma tinha de estudos intelectuais e mentais, a outra tinha em saber lidar com as emoções e os sentimentos. E era exatamente por isso que funcionava.
Assim, Sakurá foi ensinando, na prática, de maneira descontraída e nada formal, como é que ela tinha se aproximado dos sonhinhos e, Kiku, embora tivesse uma personalidade completamente diferente, aos poucos conseguiu conquistá-los, ainda que a seu modo. O relacionamento era de uma categoria diferente, mas, ao menos, ela tinha conseguido chegar ao seu objetivo.
Além disso, Sakurá, que não era nem um pouco afeita às atividades físicas, tentou acompanhá-los nas sessões de yoga. Pois quem sabe se se aplicasse, ela também não conseguiria aprender telepatia? Não sucedeu muito nas aulas, no entanto. Porém, Yanagi, percebendo que ela tinha vontade de desistir, passou uma seleção bastante amena e de apenas duas vezes por semana para ela.
E assim ambas as garotas iam ficando mais craques para poderem entender a mensagem dos sonhos.
Aconteceu numa tarde chuvosa. Depois de uma temporada de estiagem que deixou Brasília seca, o céu se encheu de gordas nuvens cinzas e, sem mais delongas, desabou-se em tempestade. Chuva forte e constante, nada daquelas pancadas típica de verão!
Aproveitando o barulho gostoso da chuva na janela, lá foram as duas meninas para a sessão “telepatia”. E o que tinha sido um inaudível murmúrio da primeira vez, agora se fez ouvir de maneira clara aos ouvidos de Kiku:
“Os sonhos verdadeiros têm suas sementinhas no coração. De lá, elas crescem e viram, então, sonhos. Então, se as mikos conseguirem abrir as portinhas dos corações dos homens, muitas sementes de sonhos podem acordar!”
Saindo do transe exultante, Kiku disparou:
- Oh, muito obrigada! Eu amo vocês, de verdade, eu amo. Obrigada por confiarem em mim!
Participe! Finalmente o mistério se desfez! O que será que as mikos vão fazer agora? Se você tem um palpite, escreva nos comentários abaixo!
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Colaboradores deste capítulo: Som
2 comments:
fofoléts
pop! uma chave! pop! uma porta! pop! um coração!...
Kiku, Kiku, olha só, parece que uma peça importante na busca do sonho perdido foi encontrada. ^.^ mas e agora? como abrir a portinha do 'nosso' coração?
Como?
Eu tou pensando nisso desde que li o capítulo na semana passada e ainda não achei uma resposta. Quis escrever mais para você saber que eu também tou aqui, quietinha, mas aqui com vocês (L). Vou 'quebrar a cabeça' mais um pouco...(e quando escrevi 'quebrar a cabeça')... será que, às vezes, a gente não pensa só com a cabeça? seria possível?
Mmm. Esse meu coração sambista que batuca rapidinho ou devagar, bombeia vida para meu corpo inteiro, um ritmo constante que nunca dorme: tum, tum, tu-tum, meu código cœur. Bem, se eu receber algum sinal do coração sobre como conhecer/despertar a(s) sementinha(s) plantada(s) lá dentro eu volto correndo para contar para vocês.
Boa sorte!! Com carinho, sempre,
Pat
PS: A Sakurá tá muito linda com avental amarelo, no banquinho. ^.^
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