
Capítulo 11: Aconteceu
Para ler ouvindo: “Aconteceu” de Péricles Cavalcanti por Adriana Calcanhoto
Aconteceu quase sem querer.
Tampopo vinha trabalhando em um óleo essencial há dias. Depois de calibrar a fórmula aqui e ali, ele(a) ficou satisfeita com o resultado. Pingou, pois, duas gotinhas em um aromatizador e resolveu fazer uma surpresa para os sonhinhos.
Correndo a shouji sem fazer barulho, Tampopo adentrou no quarto e ali encontrou Kiku finalizando sua sessão diária de yoga. Yanagi a acompanhava.
Após alguns minutos, deixando suavemente a posição de meditação, Kiku abriu os olhos e sorriu:
- Finalmente, consegui ouvir a tia Elvira! Ela me passou uma quick lesson para eu tentar me comunicar com os sonhos: “Aquiete a mente. Concentre-se. Envie uma mensagem. Tanto melhor se for alguém com quem você tenha fortes laços de empatia.” Acho que eu vou tentar!
- Só um momento, Kiku! Preparei um óleo essencial de angélica, creio que possa ajudar.

E, dizendo isso, Tampopo aqueceu o aromatizador e um suave perfume começou a invadir o ambiente.
Kiku sentou-se bastante ereta em frente ao aquário, cerrou os olhos e voltando para o estado de meditação, iniciou seus trabalhos. Tampopo e Yanagi observavam tudo atentamente e em absoluto silêncio.
Passou-se algum tempo até Kiku abrir os olhos novamente.
- Eu sinto a mensagem sendo enviada... mas não consigo perceber nenhuma resposta de volta, disse ela, com uma pontinha de desapontamento na voz. E lançou um olhar de esguelha para os sonhos, que continuavam a flutuar no aquário.
Nesse exato momento, a shouji se abriu e entraram Sakurá e Momiji. Eles vinham do jardim: Momiji havia terminado sua tarefa diária e Sakurá tinha ido colher flores frescas para presentear os sonhos. Vendo o semblante preocupado dos amigos, Sakurá perguntou:
- Tudo bem com vocês?
- É que Kiku recebeu instruções da tia Elvira, mas ainda não conseguiu se comunicar com os sonhos... Yanagi explicou.
- Ahhhh. Kiku, o que você acha de ofertar as flores frescas que eu escolhi para esta manhã? Quem sabe o ânimo deles não melhora? E você poderia tentar novamente então!
Sem acreditar muito que conseguiria, Kiku aquiesceu com a cabeça. Sakurá pôs, então, mãos à obra, enquanto cantarolava baixinho e conversava trivialidades com os sonhos como era seu costume:
- “Aconteceu, quando a gente não esperava. Aconteceu, sem um sino pra tocar. Aconteceu, diferente das histórias, dos romances e a memória tem costume de contar...”
Boquiabertos, eles perceberam que os sonhos pareciam, de certo modo, sorrir para Sakurá. Como ninguém a acompanhasse em sua tarefa de “dama-de-companhia”, só então puderam perceber o fenômeno.
Ao ser indagada sobre o fato, sorrindo ingenuamente, ela disse:
- Hummm, é? Não, nunca percebi nada de diferente... Apenas gosto de conversar com eles porque deve ser meio solitário aí, não é mesmo?
E Kiku, que era bastante perspicaz, logo teve uma idéia:
- Sakurá, vamos tentar nos comunicar com os sonhos juntas?
A outra deu uma risadinha nervosa, meio incrédula e disse:
- Ai, Kiku... mas eu não entendo nada de telepatia... nem estudei nem me preparei para isso! Você acha mesmo que eu posso ajudar em alguma coisa?
- Acho que pode funcionar, Sakurá. Vamos tentar?
Enquanto Kiku se concentrava uma vez mais, Sakurá ia sussurrando aos sonhinhos que queriam conversar com eles, que tinham vindo para uma missão e tudo o mais. Os sonhos pareciam ouvi-la atentamente.
Dando o melhor de si, Kiku enviou a mensagem: “Como encontrar os sonhos perdidos?”
E eis que, de repente, pop-pop-pop! E novamente, o sonhinho branco se transmutou em coração-chave-porta. E, depois disso, pareceu quedar muito cansado no fundo do aquário.

As meninas também saírem do “transe” parecendo exaustas.
- Vocês viram o que eu vi?
Mas Tampopo, Yanagi e Momiji olharam para ela com uma expressão de “viram o quê?” e ela logo soube que, conforme tinha pressentido antes, só ela enxergava aquele fenômeno. Ou será que estava vendo coisas? Seria possível?
Porém, Kiku, tentando disfarçar o melhor que podia uma pontinha de inveja, disse:
- Sakurá, acho que eles se afeiçoaram a você e estão tentando lhe dizer algo. Eu também não vi coisa alguma, mas, apurando os sentidos o máximo que pude, ouvi murmúrios bem ao longe. Infelizmente, não consegui entender o que eles diziam...
- O sonho branquinho – vamos chamá-lo de Shirô? – ele... se transforma em... formas... uma coisa meio Barbapapa, sabem? Eu já tinha visto antes, mas fiquei pensando se não era imaginação minha. Então... ele se transformou em coração, depois em chave e depois em porta. Também foi assim da outra vez... mas, por mais que eu pense, não consigo atinar o que seja isso!
Participe! O que será que as mikos podem fazer para compreender a mensagem que os sonhos estão tentando enviar? Se você tem um palpite, escreva para elas nos comentários abaixo!
Caso sua contribuição seja aceita, seu nome figurará nos créditos de colaboração da construção da trama. No entanto, ao participar deste processo colaborativo, eles passam a ser parte integrante da história como um todo e, portanto, de propriedade intelectual da autora. Ao enviar uma colaboração, você concorda que está ciente das condições aqui descritas.
Colaboradores deste capítulo: Pat Kalil & Mirian Oliveira e Som.
Agradecimentos: Annette Tison e Talus Taylor e seus deliciosos Barbapapas que povoaram a minha infância querida e a Péricles Cavalcanti, com sua música-poesia!
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